Deixa, deixa, deixa eu dizer o que penso dessa vida. Preciso demais desabafar!

Prezados amigos leitores e colegas jornalistas, é com grande vergonha e pesar que venho analisar neste singelo espaço de discussão a decisão estapafúrdia e totalmente irracional do nosso STF (Supremo Tribunal Federal).

Estamos diante de um golpe covarde contra a democracia. Mesmo esta capenga, vivenciada não só no Brasil, como no mundo. Mas, fechando o recorte em território tupiniquim, note sintomas de um ataque sorrateiro ao futuro da profissão reconhecida como quarto poder e por isso, temida por quem tem rabo preso.

Pois bem para começo de conversa, só neste ano foram duas estocadas. A primeira dada em 30/04/2009 quando a Lei 5.250/67 foi totalmente execrada do ordenamento jurídico brasileiro.

Isto, apesar da parca divisão entre os ministros (e coloco com letra minúscula sim, porque não devo respeito a quem não se faz respeitar, a quem se presta a tomar decisões ignóbeis como as que vêm sendo tomada) de revogá-la total ou parcialmente.

Enfim, pensem comigo. Primeiro a lei de Imprensa, que poderia ter sido reeditada, mantida em partes adequando-se então, aos dias modernos com Constituição Federal. E agora a caçada ao diploma, ao caráter oficial de uma profissão que nem de longe é menos importante que a de um cozinheiro ou motorista, como foi comparada.

Aí é a cobra fuma, porque o órgão máximo do sistema jurídico brasileiro se contradisse e corroborou um pensamento atroz e maquiavélico com o argumento desta última decisão. Para entendimento:

Revista Veja em 30/04/2009 citando o ministro Joaquim Barbosa apoiado pela ministra Ellen Gracie sobre os artigos da lei que tratam de crimes de calúnia, injúria e difamação e o poder da mídia.

“É importante mantê-los para coibir abusos não toleráveis pelo sistema jurídico. Às vezes, a imprensa pode ser destrutiva, não apenas em relação a agentes públicos. A imprensa pode destruir a vida da pessoa”, afirmou Barbosa. Ele também criticou a concentração da mídia no Brasil, qualificando-a de “extremamente nociva para a democracia”.

Mídia essa em boa parte nas mãos dos próprios políticos. Como verão abaixo. Continuando…

Menezes Direito apontou uma incompatibilidade entre a Lei de Imprensa e a Constituição de 1988. Ele afirmou que na Constituição já há mecanismos para garantir a liberdade de imprensa com equilíbrio, como o direito de resposta.’ No entendimento do ministro, a limitação da imprensa pode trazer prejuízos à sociedade.”

Peraí! Quer dizer então que a imprensa pode construir e desconstruir pessoas e instituições na sociedade chegando até ser considerada nociva entenda-se – PE-RI-GO-SA?

Pois então, como ela é menos importante, do que um motorista “que coloca em risco a coletividade”. Como afirma o Presidente do STF, lido em matéria do jornal O Dia. Continuando…

“A profissão jornalista não oferece dano à coletividade, tais como medicina, engenharia.” Como assim?! Como se pode entender um órgão que utiliza um discurso x para derrubar uma lei. Mas ao mesmo tempo, esvazia esse mesmo discurso para conseguir desconfigurar esta mesma profissão ao tomar uma decisão subseqüente?!

Quanto aos fatos não há argumentos, vide apenas Muito Além do Cidadão Kane, que trata justamente do peso social e político de um veículo de comunicação.

Um golpe?!

A Face e sorriso de quem detém o poder legal. Como isso termina?!

A Face e sorriso de quem detém o poder legal. Como isso termina?!

Pontuando. Estamos diante de um golpe sim, e o pior com a conivência de veículos de comunicação que não têm mostrado grandes preocupações com o fato.  Visto os autores do processo. Pensem.

O Brasil é um país onde a alienação político-econômica da maioria das pessoas, de pseudo-cidadãos (pseudo por não terem se apropriaram minimamente dos seus direitos e deveres de tal personagem social) é algo comum, trivial e propositada.

É mais fácil ter maioria eleitoral que não pensa e não produz conteúdo útil para si e o todo, do que cidadãos ativos ideologicamente tomando as rédeas dos seus interesses. Ninguém quer ataque com coquetéis molotov na Esplanada, como acontece usualmente na França quando algo vai de encontro ao interesse da população.

O problema é o seguinte. Sem a validação do diploma, que jovem vai querer ingressar no curso? Sejam aqueles que se dedicam ao estudo para o vestibular público ou aqueles que pagarão pelo ensino? Qual será o futuro dessa carreira profissional? Vislumbrem!

Tudo bem. Sempre há um maluco (rs)! Concordo. Mas pense no longo prazo, teremos jornalista no futuro para “fiscalizar”, ser os olhos e ouvidos do povo onde este não pode estar? Quem trabalhará nos veículos, caso não haja mais faculdade para formar profissionais?! Qualquer um? Secundaristas técnicos na profissão?!

É claro que o exercício profissional, com certeza exigirá pessoas capacitadas. Quanto a isso não restam dúvidas, mas haverá meios para se profissionalizar?! Eis é a questão e o lado obscuro que sugere essas decisões crassas do STF.

Quem apurará informações, como a nova do Senado, os Decretos Secretos. Porque não rechaçar isso? É dinheiro público! E ainda dizem ser desnecessário especialistas que corram atrás disso. Quem fará esse papel? Os 9.999 blogs da rede.

Nada contra, mas sofremos um excesso de informação, que gera desinformação, com a freneticidade atual. Para tanto usamos filtros, os meios de comunicação em meio ao caos. Assim já é complicado. Mas ruim com eles, pior sem eles.

Ser jornalista não é apenas escrever bem. Aliás, o que vem a ser escrever bem? Ser letrado nos meandros da língua portuguesa? Escrever polidamente? O que é talento para escrever?! Nivelar por baixo. Isso é que é golpe baixo!

Vale lembrar que vários de nossos meios de comunicação estão nas mãos de políticos. A citar a família Magalhães na Bahia, sócia da TV Bahia, afiliada da Globo. E dezenas mais, como denuncia pesquisa realizada em 2005 pelo Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor), ligado ao Observatório de Imprensa.

É tudo uma grande vergonha, piada de muito mau gosto e desmoralização política de uma profissão essencial. Há décadas que o jornalismo desvencilhou-se dos romances literários. Especializou-se. Por que voltar ao passado. Justo agora?! Estranho, não?!

Marco Aurélio de Mello, o único a votar a favor do diploma como da manutenção da lei de imprensa. É uma pena que este feliz desembargador seja uma adorinha solitária em um verão inteiro, cercado de urubus que querem ver a o Brasil virar uma grande carniça. Vira página. Talvez seja melhor o próximo capítulo.

Evitem. Algozes da profissão:

Gilmar Mendes

Carmen Lucia;

Eros Grau;

Ricardo Lewandowski;

Ayres Britto;

Cezar Peluso;

Ellen Gracie;

Celso Mello.

Fontes:

http://www.comunique-se.com.br/index.asp?p=Conteudo/NewsShow.asp&p2=idnot%3D51637%26Editoria%3D8%26Op2%3D1%26Op3%3D0%26pid%3D55697888016%26fnt%3Dfntnl

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2009/04/30/ult5772u3812.jhtm

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL1104820-5601,00-SUPREMO+REVOGA+A+LEI+DE+IMPRENSA.html

http://www.igutenberg.org/leiatual.html

http://www.bahiaja.com.br/noticia.php?idNoticia=16452

http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=443IPB004

http://g1.globo.com/Noticias/Politica/0,,MUL55684-5601,00-CONFIRA+A+BIOGRAFIA+POLITICA+DO+SENADOR+ACM.html

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