Um crime sem punição e uma luta sem fim para os grupos de proteção

Olhar distante e depressão

Olhar vazio e carência. Realidade do abandono.

 

Solitários, tristes e famintos. É assim que se encontram milhares de animais abandonados à própria sorte nas ruas do Brasil. Os motivos para a crueldade, de um modo geral, são períodos de férias, comportamento repudiado pelos donos, velhice e doenças. Fato é que, cada um deles ou seus acedentes um dia pertenceram a alguém.

 

Mas é neste cenário triste que entram em cena protetores animais, instituições sociais e ações dos governos Brasil afora. Só no Estado do Rio de Janeiro, existem diversos grupos atuando nesta frente e dentre eles a SUIPA – Sociedade Internacional Protetora dos Animais, em funcionamento desde 1943.

 

A Entidade recebe diariamente cerca de 60 animais, além dos resgates de animais acidentados, com uma única ambulância. Os bichos chegam por intermédio dos bombeiros, de decisões judiciais, dos sócios da SUIPA e da população como um todo. A Diretora do abrigo, Isabel Cristina afirma que, por não realizar eutanásia, sofrem com a superpopulação. Ela explica a política de adoção no local e a dificuldade da mesma.

 

– Ano passado recebemos em torno de 12 mil animais. Adoção é menos de 1%. As pessoas querem gatos para matar ratos, não aceitam esterilização, querem um cachorro pro filho brincar. Só pode adotar quem é da Cidade do Rio de Janeiro. A gente faz fiscalização para sentir que esse animal esta seguro. Liga todo dia. Se ficar doente a gente pede para trazer aqui. Tem todo um cuidado.

 

Gatos do Campo de Santana

 

Outro Projeto que luta pela dignidade e bem estar dos animais é o Gatos do Campo de Santana. O local é famoso pelo abandono principalmente de gatos no Parque. Também conhecido por Praça da República. É lá que a Veterinária e Protetora Andréa Lambert faz toda diferença com seus conhecimentos e respeito pelos animais. A doutora realiza esterilizações e cuida de dezenas de bichanos. Ela explica a gravidade do abandono.

 

– Não é nem a questão da doença, porque a doença é transmitida pelo contato direto.  E as pessoas não têm esse contato com os animais. O maior problema é o acidente. Pessoas já morreram porque vão desviar de um animal na estrada.

 

Todo animal deveria ter o direito à vida respeitado.

Todo animal deveria ter o direito à vida respeitado.

 

Andréa revela que cerca de 10% da população tem animais domésticos, mas que não é possível precisar o número de animais nas ruas. Para ela a solução seria o controle na fonte, ou seja, no comércio dos animais. “Como não é possível proibir devia ter um controle. O animal devia ser chipado”, declara a veterinária. O Projeto lançou recentemente uma campanha para adoção de animais deficientes, contrariando a idéia de eutanásia nessas situações. Veja.

 

Não muito distante desta idéia. Isabel Cristina afirma que o governo brasileiro devia fazer como nos EUA, onde o animal vendido é microchipado, vacinado e esterilizado antes de ir para o novo lar. E ela vai além, sugere até que deveria ser emitida nota fiscal, já que é uma relação comercial. Isabel acredita que isso também contribuiria, junto das ações de controle, para a identificação do animal em caso de abandono.

 

Abandono é Crime

 

O abandono de animais é crime previsto na Lei 9.605/98, de Crimes Ambientais. Embora haja previsão de punição para o autor dessas ações, pouco se efetiva do que está determinado. Isabel dispara, “leis existem. As autoridades não conseguem fazer funcionar. Deviam fazer campanhas educativas permanentes nas escolas, novela, propagandas. Se começar hoje daqui a cinco anos já tem resultado”.

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http://www.oestadorj.com.br/?pg=noticia&id=2575&editoria=Comportamento

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