E que ela esteja livre da hipocrisia!

E que ela esteja livre da hipocrisia!

Nem Afrodite é bela nos padrões atuais!

Brasil mostra tua cara! Já bradava Cazuza no fim dos anos 80. Sim, mostra tua cara, pois mesmo que digam que o Brasil é um país livre de preconceitos, este não o é. Preconceito de se você é gordo demais, magro demais, baixo ou alto demais, negro ou muito branco, cabelo crespo. Enfim… Sim existe muito preconceito, ainda mais em tempos de celebridades instantâneas, onde seus corpos são vendidos como perfeitos e logo desejado por homens e mulheres.

Mas até então qual o problema em malhar para manter a forma e saúde?! Desde que cada um aceite sua genética, aceite seu biótipo, que nem sempre será igual ao de A, B ou C que aparece na telinha. Então, o que me move hoje, a escrever sobre beleza, ou melhor padrões de beleza impostos pela sociedade é a forma como isso se torna um preconceito sutil no em searas do mercado de trabalho.

Bom, tudo começou quando eu desempregada como estou resolvi pedir a uma amiga que me indicasse para fazer o BICO que ela conseguiu por indicação de uma amiga dela. Deu para entender, não?! Pois bem, enquanto não rola nada na área (jornalismo) para mim, pensei por que não tentar recepção e atendimento de eventos. Do tipo, congressos, conferências, seminários e etc. Que exatamente o que minha amiga está fazendo. Ganha um trocado razoável, ao menos a minha querida amiga sempre recebe em torno de R$100, por dia. Salva minha pátria, né!

Engano meu, só salva a pátria, das loiras, altas ou de estatura média, mulatas tipo eqüinas – segunda a minha amiga, uma morena que trabalha lá tem um belo par de peitos turbinados por silicone e é passista de escola de samba e parafraseando-a, esta em sua visão seria um MULHERÃO. – Mas peraí amiga, como assim? E eu? Sou mulherzinha?! Não entendi, mas…

Minha amiga é loira de estatura média, cabelos compridos e escorridos, corpo de curvas normais, cintura fina, pernas grossas, bumbum proporcional e rosto com feições finas e muito delicadas. Tudo bem que ela já corrigiu o que a incomodava, mas a meu ver não era nada tão desesperador. Porém ela se sentiu melhor fazendo seus retoques. Wharever, cada um com seu cada um. Daí a pergunta: ela tem o perfil da mulher brasileira?! Do povo brasileiro, fruto das mais diversas transações genéticas?!

E por que para trabalhar em eventos em terras tupiniquins tem que ser nesse “padrão” de biótipo. Pior nem foi isso, nem foi o fato de implícita e ingenuamente ela ter me chamado de mulherzinha. Mas as respostas que ela foi me dando a respeito de quem mais tinha pedido o mesmo a ela. A prima não pode porque é nova demais e pode falar besteira, a amiga é gordinha, a outra era baixa…e eu… sou tudo de RUIM então, né.

A começar que me defino como um ser humano SRD – como os cães – SEM RAÇA DEFINIDA. Podem rir, mas tenho pé na cozinha, em tribos indígenas e em algum passado remoto européia. Visto o Baptista – português – e o Araujo sem acento que indica influência européia. E ah, não obstante tudo isso, só tenho 1,53 e meio. Vislumbrou isso?! Para mim, simplesmente F&%$. Nunca na vida vou poder trabalhar com isso por essas agências que retratam nada mais nada menos que puro preconceito. Já pensou seu minha vida dependesse de um trabalho assim? Morri. K.O para o mercado capitalista hipócrita!

Escrevo para desabafar porque da mesma forma que isso acontece nessa área em outras também. Como vendedores de shopping, que exige foto no currículo. Na boa, o que uma boa maquiagem, um bom tratamento capilar e bom senso e é claro um saltinho não resolvam? Fica a dica. Mas meu consolo é que na verdade não sirvo para entregar papéis e dar sorrisos para engravatados e mulheres de tauer, é porque sou mais do que um corpo e um rosto, eu tenho cérebro. E só para constar, malho, danço, quando posso luto kick-boxing e apesar dos meus 1,53 e meio peso 49 kg, graças a Deus, bem distribuídos. Ta bom não?! Para mim, basta!

Anúncios