Conheça todo o processo desde a retirada dos resíduos nos domicílios cariocas 

Lixo: um problema real e de todos!

Já parou para pensar, ou imaginar um segundo sequer, para onde vão todos os resíduos decorrentes consumo diário da população no Rio de Janeiro? Pois bem, é um processo longo e cheio de detalhes, aquele que dá fim a tudo que se produz e consome numa cidade. Tudo começa de forma bem agradável em lojas, supermercados, barraquinhas na feira e termina de forma bem complexa com o descarte em áreas específicas para isso.

Por dia a quantidade de materiais descartados na Cidade do Rio de Janeiro é de 8 mil e 800 toneladas por dia. Sendo a conta por cada indivíduo de 1,5 kg por dia (um quilo e meio). Tudo isso é recolhido pela Comlurb e levado aos aterros sanitários de Gramacho, no município de Caxias e Gericinó, localizado no bairro de Bangu.Após coletado o lixo doméstico, algumas partes, passam por uma das duas usinas de triagem onde cooperativas de catadores fazem a separação de materiais recicláveis como plásticos, papel, papelão, vidros, que são comercializados. O que gera renda para diversas famílias que sobrevivem a partir do que é considerado lixo por muitos. Como pode ser verificado no site da Comlurb. O Engenheiro membro da Diretoria Técnica industrial da Comlurb, Paulo Jardim, explica o processo.– Trabalhamos basicamente com caminhão compactador e basculantes. Após a coleta do lixo nas ruas ou residências esses caminhões vão para estação de transferência onde os veículos descarregam o lixo transferido para caminhões de maior porte e vão para aterros. Na zona oeste os veículos vão vazar o lixo no aterro de Gerincinó.“Trabalho em Equipe” Alguns bairros no Rio de Janeiro possuem o serviço de coleta seletiva porta-a-porta. Em grande parte os bairros Zona Sul recebem este serviço sendo realizado em outras regiões do Cidade a implantação de Eco-Ponto, para entrega voluntária de materiais recicláveis. Como é o caso principalmente da Zona Oeste. Todo o material é encaminhado à cooperativa de catadores que dão uma destinação adequada ao que é arrecadado. Sobre o eficiência dessa ação, Jardim afirma que:– Funcionam razoavelmente, mais com uma ação de conscientização da população. Ainda temos um caminho a percorrer é uma ação que depende do poder público e da população. É uma ação conjunta, um trabalho de equipe. – Pondera o engenheiro.Atualmente a Comlurb desenvolve algumas ações de sensibilização da população carioca sobre cuidados com o meio ambiente e como tratar melhor sua produção de resíduos. Assim, realizam palestras sobre educação ambiental e sanitária, desenvolvem folders e recentemente contam com o apoio do mascote Super Gari criado para campanhas televisivas. Atendem a condomínios, escolas, instituições sociais. Basta entrar em contato e solicitar a atividade.

Eco-Ponto visa adesão da sociedade

Aterros SanitáriosPor diversas vezes os aterros sanitários de Gramacho e Gericinó saltam na mídia por motivos de acidentes ou alertando para o fim da vida útil dos mesmos. A esse respeito Jardim revela que já estão sendo feitos estudos para a construção de um novo aterro na Cidade. Dessa vez o bairro escolhido para abrigar os resíduos do Rio será Seropédica.O engenheiro da Comlurb revela “que esta em fase de licenciamento ambiental. Não só o novo aterro mais a construção de novas estações de transferência, que também está no contrato.” Ele também esclarece que a construção das estações “ainda vai ser melhor definido porque depende de apropriação de áreas, licenciamento ambiental, zoneamento.” No total serão inauguradas mais cinco novas estações, formando um conjunto de sete unidades.Há quem discorde da forma como são utilizados os aterros sanitários no Rio de Janeiro. Como é o caso do Pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear e da Coppe/UFRJ, Sergio Guerreiro Ribeiro. Em um artigo publicado em um jornal online ele alerta para a problemática de materiais orgânicos nesses locais:– Aterros são imprescindíveis, porém apenas para materiais inertes e não mais passíveis de serem reciclados ou aproveitados como combustível. A fração orgânica, festa dos urubus, rica em restos de alimentos, se decompõe em biogás, com 50% de metano e 50% de CO2. Uma tonelada de metano equivale a 21 toneladas de CO2 em termos de efeito estufa. Portanto os orgânicos “vendidos” como renováveis ou carbono neutro, nos aterros não são!Como solução para este impasse Ribeiro aponta o que vêm se popularizando pelo mundo, a geração de energia obtida com a incineração desses resíduos.– Alemanha, Áustria, Holanda e muitos outros adotam o tratamento térmico com recuperação energética por ser a melhor solução. Hoje existem no mundo quase mil usinas lixo-energia. A usina WFPP (Waste Fired Power Plant), em Amsterdã, processa 4.500 toneladas/dia, gerando 200 MW de energia elétrica e reaproveitando 99% dos insumos. Embora caras, a viabilidade econômica pode ser resolvida pelo aumento da eficiência na transformação da energia contida no “combustível” lixo.E agora? Será que vale a pena pensar um pouquinho mais na questão do consumismo e suas conseqüências para vida de todos. Imaginem como será a vida caso não haja um sistema eficiente para eliminação do lixo? Difícil…

 Aterro de Gramacho

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